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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

17.Mar.20

Tempo.

Mi

No Mundo, se houvesse um concurso para pessoas que pior lidam com imprevistos, eu estaria nos primeiros lugares, com toda a certeza. Ter listas ou horários programados dá-me segurança e uma sensação (falsa) de controlo, daí que qualquer movimento fora do que eu tenha planeado faz-me arrancar cabelos. Até que chegou esta pandemia. Os dias e as notícias começavam a adivinhar um cenário algo acinzentado... Tudo estava programado: as minhas aulas, a organização do Festival e tantos outros pormenores... Nada disto, tem lugar, de momento. A preocupação é proteger-me, não perder o equilíbrio mental e o foco em dias melhores.

Não há muitos meses (ainda antes do Covid-19), vivi semanas de angústia com a possibilidade de ter contraído um vírus. E agora paira um novo fantasma. Neste período de tempo, com estas duas experiências, há algumas coisas que aprendi:

- sou realmente frágil, mas se o meu foco estiver direcionado para o que consigo melhorar e mudar, então é possível alcançar resultados.

-  coisas que acontecem todos os dias, sem as podermos controlar.

- as experiências menos boas devem servir como combustível para mudar o que posso, daí que aprendi (mesmo!) que devo providenciar, sempre que possível, um plano B, por um motivo muito simples: profissionalmente, depender de outros, numa situação de trabalho independente (!), faz-me ficar sem qualquer tipo de rendimento em momentos como este. Houve momentos em que não conseguia conceber na minha cabeça como me deixei chegar até aqui, senti-me tão indignada comigo... Como é que fui deixando esmorecer os meus projetos, as minhas ideias, as minhas próprias ambições em detrimento de suar a camisola pelos sonhos de tanta gente?

Mas agora há tempo. Tempo de colocar tudo em perspetiva, tempo de mastigar as aprendizagens.

Esta paragem forçada permite, sem dúvida, recuperar tudo o que vem enchendo a minha lista de tarefas, no ToDoist... Vem ensinar a continuar a viver com um propósito, todos os dias.

Agora, tenho tempo de arrumar toda a roupa, limpar e arrumar tudo pormenorizadamente, organizar fotos, documentos, ver televisão, ler... Agora tenho tempo para não fazer nada, para pensar na liberdade que era visitar os meus Pais, ir às compras ou ao ginásio. Ficar sem as pequenas liberdades permite-me valorizar o que sempre achei garantido. Eu, inflexível com os imprevistos, fiquei sem os meus trabalhos, sem grande parte do meu sustento financeiro, sem os meus planos e as minhas certezas, mas aprendi a trabalhar a paciência, a entender que são os imprevistos que, na verdade, ocupam os nossos dias e nos dão criatividade e novas ferramentas para dar a volta por cima. Penso como sempre foi assim que vi os dias dos meus Pais: imprevistos com os meus avós, com o trabalho, com a Vida e, ainda assim, não os vejo a perder o controlo das coisas. Aprendem a lidar com o tempo e com o que vem. E se esta não é uma das maiores lições que posso retirar de tudo isto, então acredito que toda esta "experiência" terá passado em vão.

Aqui, resguardada do Mundo, rezando para que tudo se resolva sem grandes desastres, aprendo como é importante não baixar os braços, mesmo quando os imprevistos acontecem.

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