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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

25.Out.18

Rabiscos - XXV

Mi

Os pensamentos correm velozes ao sabor do incerto. Gosto de olhar para o vazio, para o infinito, para o céu, questionando qual é o caminho. Se estou no certo. Se tomei as decisões acertadas. E aquela vozinha que vem, lá do fundo, a dizer: é um mundo de possibilidades. Fantasmas assombram, memórias perpetuam-se.

Fechar os olhos é um lugar tão seguro: faz-me leve, preenche-me, faz-me viver. O passado que magoa desvanece, arrumado em gavetas profundas do inconsciente: está apenas arrumado, desorganizado, impaciente para se revelar nos pequenos pormenores, na noite, no silêncio.

Porquê o martírio? Porque não viver, abrir os olhos para o novo, para o presente, para o conforto real, para os abraços sinceros, genuínos e que resgatam.

Quisera eu rasgar as páginas de solidão, incerteza e angústia deste livro velho. Expiar as mágoas, libertar demónios profundos. Talvez reescrever... apagar... transformar cada parágrafo. Saudade? Frustração, raiva, desespero.

Tão pesado que é, este fardo. O fardo dilacerante das memórias: asssemelha-se a uma grande nuvem negra e espessa que paira, incessantemente, todos os dias. O sol não trespassa, não liberta e não transforma. 

Fecho os olhos. Deixo que os pensamentos corram livres e despreocupados. As memórias eternas assoberbam-se da minha sanidade mental. Respiro. É um local confortável. Gosto de imaginar aqueles campos dourados, no horizonte sem fim, percorridos ao longo da estrada. Então a serenidade vem. Todos os outros pensamentos, só quero transformá-los em insignificantes. É só isso que falta. Serem insignificantes.