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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

Livro de Reservas

13.Mai.16

Rabiscos - IV

Mi

Quando ela acordou, sentiu-se insegura. Não dava conta da vida que lhe passava; sentia que os últimos dias tinham sido tão intensos, tão cheios de emoções, e naquele momento em que abriu os olhos reconheceu que se tinha perdido de tudo. Perdeu-se, mas não sabia, ainda, como se encontrar. Não se queria libertar das borboletas no estômago, da atenção, do carinho. Ele era o seu primeiro amor. Ela tinha consciência do quanto ele lhe fazia mal: os dias sem um telefonema, as horas de indiferença... Contudo, quando estavam juntos isto pareria-lhe tão pequeno, comparado com a forte e inexplicável ligação que os atraía para os braços um do outro. E tudo o que viviam parecia-lhe tão irreal. Nas horas sem ele, navegava pelos pensamentos, pelas pequenas coisas que partilhavam: as mãos dadas no sofá da sala, o cheirinho do almoço que ele cozinhava, os passeios com o cão, as noites que passavam em branco aninhados um ao outro, aquele perfume inconfundível que parecia nunca a abandonar.

E depois ele desaparecia. E ela chorava, em silêncio, sentada no banco do jardim onde tantas vezes se encontraram, à espera que ele voltasse. E aquela saudade apertava-lhe o peito e confundia ainda mais a sua cabeça. Porque é que não o conseguia deixar ir? Porque ansiava tanto abraçar-se a ele? Porque sentia tanta falta dos nomes carinhosos que ele lhe chamava? Porque acabou a magia?

 

Levantou-se da cama e, mais uma vez, deixou a determinação de o querer esquecer bem emaranhada nos lençóis. Talvez amanhã seja diferente, pensou. Mas todos os dias passavam iguais e todos os dias ela se afundava mais neste sentimento de lhe querer pertencer.

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)