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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

11.Mai.16

Rabiscos - III

Mi

À medida que os dias forem passando, as memórias ficarão apenas isso, memórias. Pensar nisto, causa-lhe alguma ansiedade, um vazio até. Ele nunca esquecerá como o sorriso dela o conquistou desde o primeiro segundo; aquele jeito inocente e humilde e o seu ar desastrado roubaram-lhe a atenção. Sentia-se atrapalhado mas meteu conversa com ela e não deixaram mais de se falar. Até agora. E este vazio sem ela, rouba-lhe o sono, a concentração e torna-lhe os dias tão grandes e infinitos...

Ele sabe que ela não lhe pertence. Ele era de outra pessoa. Ela era livre. Eles sabiam que nunca se pertenceram um ao outro, mesmo no meio de todas as carícias, mesmo quando foram um só.

Não esquece a primeira vez que as mãos dela lhe tocaram as suas: foi um choque pelo corpo inteiro. A presença dela alimentava o sorriso dele e, todos os dias, ele a desejava tão perto. Aquele primeiro beijo, tão correspondido e verdadeiro, ainda o sente nos lábios. As conversas ao telefone duravam horas, os passeios de carro, à noite, faziam-nos tão cúmplices. Ficavam a olhar as estrelas, a cantar desafinadamente, a rir, a trocarem beijos e fazerem planos que nunca se iriam concretizar... naqueles momentos, só deles, eram um do outro. Mas as suas vidas continuavam, invariavelmente, sem espaço para os seus desejos.

A maior dor para ele foi a separação. A separação de algo que na verdade nunca pode existir. E agora, parece que o perfume dela ainda está embrenhado em cada roupa dele e sempre que os olhos se fecham, os momentos que passaram juntos vêm e vão, numa sequência que só lhe traz lágrimas de saudade. O telefone não toca mais, ela não aparece mais, os abraços não voltam. Sem querer ele apaixonou-se e não sabe como combater a solidão que lhe ocupa o coração.

 

Ele sabe que o tempo há-de passar e o que outrora foram lágrimas, se transformarão em sorrisos nostálgicos, daquele tempo em que eles os dois se cruzaram.

 

E foi assim, que ele viveu um amor impossível.

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)