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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

31.Ago.18

Confissões #10

Mi

Nos meses que se desenrolam em ano após ano, percebe-se o que foi vivido e aprendido. Há fases que percebemos que fecharam ciclos e foram de duras, mas importantes aprendizagens e, por mais tempo que passe, fica sempre difícil dissociar sentimentos. Num momento em que se avizinha, para mim, um período de trabalho muito intensivo, dividida entre três empregos, novamente, consola-me sempre organizar assuntos que estão pendentes; faz-me sentir que entro na nova fase de trabalho com algumas "conquistas" e gavetas arrumadas (físicas ou emocionais). Nestes dias, tenho organizado as centenas (sim, centenas!) de fotos do meu computador que esperavam há muito serem colocadas nas respetivas pastas. Inacreditavelmente, rever, especificamente, algumas fotos, traz-me uma angústia inexplicável: lembro-me de situações que me remetem a momentos muito tristes, a pessoas com quem já não partilho os meus dias ou um simples "olá" diário. Incrivelmente, a simples tarefa de organizar fotos tem sido desafiante. Tenho contido as lágrimas que vêm carregadas de saudade... saudade de mim, de lugares. Tem-me feito pensar como o tempo tudo muda, como crescemos, como tantas coisas vão ficando pelo caminho. Neste momento, estava simplesmente a escolher fotos para dar continuidade a um artigo sobre viagens que escrevo noutro Blog, quando precisei de parar e refugiar-me por aqui.

 

O crescimento faz parte de toda uma Vida. O que me faz ter medo? Dar conta que os meus Pais não estarão cá para sempre, nem os meus avós, a minha Irmã, ou o meu Namorado. Ele diz que não devemos pensar nessas coisas senão ficamos maluquinhos, e tem toda a razão. Contudo, vamos crescendo sem nos darmos conta da vida que temos, dos detalhes, porque é como se tudo fosse existir para sempre, da forma como a conhecemos.

 

As fotos que quero organizar ficaram no tempo em que fui à descoberta. Nunca mais as tinha aberto... Desde 2016. Há coisas que nos marcam tão profundamente que parece que nos perseguem para sempre. As primeiras férias no Algarve, as selfies infinitas que alimentavam, ingenuamente, o meu snapchat... Os gatos, o meu quarto na casa dos meus Pais, os pensamentos, as angústias... Não podemos voltar atrás e mudar algumas coisas, mas podendo, mudaria um par de coisitas que não afetassem muito a Vida que tenho agora. Martirizo-me muito por ser tão ingénua... Ainda assim, tudo faz parte de uma mudança planeada para nós, para romper com comportamentos repetidos.

 

Só me falta uma coisa para conseguir arrumar as fotos sem qualquer mágoa: perdoar-me a mim mesma.

Passou muito tempo desde muitas coisas, mas continuo sem ter a capacidade de me perdoar. Talvez com o tempo seja possível, o mesmo tempo que leva de nós tudo o que mais queríamos, sem esperar muito para nos recompormos.