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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

28.Jan.19

Blue Monday, blue days, blue week...

Mi

Na última segunda-feira, a mais triste do ano segundo os especialistas, foi o dia em que a minha família se voltou a vestir de luto pelo meu Tio. Centenas de pessoas morrem, todos os dias, porque haveria de ser eu uma privilegiada em ter sempre perto de mim as pessoas de quem gosto? As pessoas lidam com perdas, todos os dias, e tantas de formas tão cruéis...

Mas eu não estava preparada. O meu dia tinha terminado bem: era já de noite e regressava a casa depois de uma sessão tão serena de meditação. Curiosamente, passava esta música na Antena 3. Senti-me tranquila e grata pelo meu dia. Pensei no meu Tio que me tinha aparecido na meditação e senti-me serena, apesar de já não o visitar há uns dias, no hospital.

Chegada a casa, retribuí a chamada à minha Mãe e o chão fugiu-me ao saber da notícia. Não chorei. Fiquei sem reacção. Abracei-me a ele. Aninhámo-nos no sofá. Não trabalhei no dia seguinte. Não chorei enquanto velava o meu Tio, junto com a minha família e com a grande quantidade de pessoas que entravam e saíam da igreja. Abracei as minhas primas. A minha cabeça gritava-me para sair dali - não queria estar ali, a olhar novamente para um caixão sem vida, a ouvir o soluçar e o desespero. Não queria lidar com isto. Regressei a casa e jantámos tranquilamente.

Não voltei a trabalhar no dia seguinte e cheguei em cima da hora ao funeral do meu Tio. Despedi-me dele, no cemitério, e lágrimas de saudade correram, lágrimas de empatia que se misturaram com as delicadas gotas de chuva. Ao regressar a casa, tudo continuou a parecer surreal. Não trabalhei no dia seguinte e à tarde, só porque a minha Gata comeu a minha espetada grelhada, destinada ao meu almoço, subi furiosamente as escadas para o duplex da minha casa, bati com a porta, atirei os lençóis que estavam por passar, em cima da tábua, contra o chão, arremessei os chinelos contra a parede e, derrotada, sentei-me a chorar compulsivamente, no sofá. A raiva, o inconformismo, a tristeza e o luto apoderaram-se de mim. Chorei.

E a chorar continuo, mesmo sem exteriorizar. Estou de luto pelas minhas perdas. E sinto medo pelas que ainda hão-de vir.

 

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