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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

30.Ago.20

Aprendizagens.

Mi

Quantos dias passaram... a percepção é que pareceram quase todos tão iguais quanto de velozes ou diferentes. Dei tempo a mim, aos meus pensamentos e expetativas e, por opção, senti que precisei de parar, também por aqui.

Foi um longo tempo de introspeção, de auto-conhecimento e de uma aprendizagem que não teria se não fosse este período de paragem forçada. Desde Março, muito mudou: procurei reinventar-me, aprender, corrigir erros e crescer. E deu resultado. Dediquei-me ao meu projeto mais novo, inspirei-me em leituras, pessoas e outras experiências, confirmei que, se queremos alguma coisa na vida só precisamo de a) pedir - se for o caso - b) batalhar por isso. Há outra lição muito, muito importante que tenho aprendido nos últimos meses: os limites com que os outros nos tratam são, efetivamente, impostos por nós: não funciona de outra forma, porque as pessoas só se comportam da maneira que as "ensinamos" (mesmo que inconscientemente) a fazê-lo... Quando percebemos que está tudo errado na forma como somos tratados e procuramos reverter a situação, reparem bem se a outra parte não se sente ofendida.

Portanto, tive bastante tempo para analisar que, entre outros, há alguns padrões que se repetiam com alguma frequência na minha vida:

- desvalorizar a dedicação ao meu trabalho por sentir que estava a fazer apenas o que era minha obrigação, o que levava as pessoas a pedirem cada vez mais e a retribuírem cada vez menos, entrando neste círculo vicioso de chantagem emocional: só tinha que fazer a minha obrigação, pois se não o fizesse sentia que as pessoas me achariam incompetente. Com vergonha confesso que, há uns anos, pessoas deixaram de me pagar e eu senti que o problema era meu... Mesmo que lentamente, aprendi a ter voz ativa e não fosse a pandemia muitas coisas não se revelariam para mim.

Apesar de todo o período conturbado que este isolamento/pandemia nos tem trazido, sinto, pelo menos para mim, que foi uma fase disruptiva de muitas coisas que não estavam bem na minha própria vida.

- Outro grande ensinamento que descobri neste período (e que me fez um grande clique interior) foi deixar de me fazer de vítima. Deixar de ter pena de mim própria. De repente, senti que se fez uma luz na minha cabeça: apesar de ter algum otimismo nas coisas, passava muito tempo em autocomiseração, a ter pena de mim própria: ai que não tenho amigos, ai que não estou inspirada, ai que me sinto sozinha, ai que afinal as pessoas não gostam de mim/das minhas coisas, ai que não estou a ter retorno suficiente, ai que enfim!... até que me cansei disso, porque se há alguma coisa que não está bem EU tenho o PODER de a mudar. Só depende de mim! Foquei-me em encontrar soluções e não problemas, em testar hipóteses, experimentar, sentir o que quero ter à minha volta (pessoas, influências, o que for! Identifico-me com as pessoas que tenho à minha volta, dão valor ou acrescentam-me em alguma coisa, o que tenho aprendido com elas, estou a arriscar na área certa, estou a comunicar corretamente, etc...?) O que é que me adiantava sentir que a culpa não é minha se fiquei sem emprego e sem rendimentos de um momento para o outro, se só quero mostrar às pessoas como sou uma "coitadinha" porque o dinheiro não abunda, que até posso tentar mudar mas só tenho é azar, mas não agir? Fiquei sem paciência para a minha própria vitimização - e para a dos outros -  até porque: ninguém quer saber! Grande parte das pessoas (não todas!) também está focada na sua autocomiseração, em concursos de pena mútua, adivinhando quem ganhará o prémio do maior coitado desta pandemia. E, deste trabalho de "ganhar tomates" foi um pequeno passo para mais uns destralhes nas redes sociais, impor mais alguns limites e sentir que sou capaz do que eu quiser: basta crer. De não me preocupar com quem fica. De acordar inspirada para mudar mais um bocadinho. De tentar e errar, mas não ficar parada. De acreditar no meu potencial, pois para chegar onde eu quiser só tenho de traçar um objetivo, manter o foco e caminhar todos os dias um bocadinho. O trabalho árduo é que me traz frutos, não é achar que o Universo gosta é de me pôr entraves no caminho  - Flash News: não é o Universo! Tantas vezes sou eu que me limito, que tenho monólogos interiores a rebaixar-me e a desvalorizar todas as coisas que já fiz por mim. Sinto que uma espécie de eu do futuro, veio até ao meu eu do presente dar-me uma grande chapada e perdoar erros que cometi, ingenuamente, no passado. Tem sido a sério, este comprometimento de início do Ano, tão a sério que vou voltar a escrevê-lo para não me esquecer: "Para este ano é isso que vou procurar: valorizar o que sou, o conhecimento que tenho de mim e do mundo, consolidar aprendizagens. (...) É o Ano de acreditar, de arriscar, de não perder a Fé. De não perder a Fé, nunca."

A culpa, atribuímo-la tantas vezes, a tantas coisas, situações ou pessoas, mas nunca a assumimos verdadeiramente. Não queremos sentir-nos responsáveis pelas nossas falhas que por ventura possam, também, ter prejudicado outras pessoas.

Este post saiu, afinal como um grande desabafo para mim: palavras que tenho mastigado e maturado todos os dias, desde Abril, sensivelmente. E foi libertador.

E este período, o que vos tem trazido?