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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

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27.Set.18

A influência da Meditação no estilo de vida

Mi

Desde que me lembro que sempre procurei o equilíbrio interior e o conforto da alma em formas não materiais. Há muitos anos, enquanto andava no ensino básico e era perseguida diariamente, comecei a refugiar-me na oração. O que alcançava era um mundo de aconchego e de força, onde sentia que não estava sozinha nos piores momentos. Rezava ferverosamente, sentia-me em paz e com força para cada dia ser o mais positivo, à minha maneira.

Bastou crismar-me para empreender a minha jornada enquanto catequista; o que eu sentia, necessitava de partilhar, tal como partilharam comigo e me inspiraram. Claro que é muito difícil passar uma mensagem de Fé e espiritualidade a crianças, mas toda a semente precisa de ser semeada. Sempre frequentei a Igreja e a Missa.

Com o passar dos anos fui percebendo que crescer afasta-nos, muitas vezes, do nosso caminho de Fé. Perdi-me, algumas vezes, pelo caminho e, numa altura em que me sentia completamente sem norte, regressei à Confissão e à Igreja. Nunca me esquecerei da Leitura que nesse Domingo foi proclamada: a parábola da ovelha perdida. O Universo é algo maravilhoso que se organiza para nos dar os sinais mais óbvios de que somos amados por uma força, inexplicavelmente, maior. Regressei ao ritual da Missa, todos os domingos, logo após a Catequese. 

O ano de 2016 foi um ano de auto-descoberta, de algumas mudanças, de alguns erros. Foi um ano que me marcou com coisas boas, mas algumas que gostaria de mudar. Depois do vendaval que causei na minha vida e à minha volta, o meu estado emocional e espiritual estava uma verdadeira catástrofe. As consequências, ainda vivo com elas, pois os caminhos do auto-perdão são longos, contudo, foi em todo este processo que descobri a Meditação. E como é que a Meditação vai de encontro às minhas crenças religiosas? Pela simplicidade. Porque a Meditação, tal como a Religião, são Espiritualidade, espalham o Amor e têm como objetivo melhorar o Mundo através de nós. Isso é das coisas mais bonitas que aprendi com a Meditação. Pensar nisso, enche-me, profundamente, o coração! Como é bonito pensar que o Mundo pode ser um lugar melhor só porque nós queremos! Porque queremos não criticar, não julgar, nem ser egoístas. Porque queremos colocar-nos, mais vezes, no lugar do outro, porque queremos amizades sem interesses e porque queremos leveza no coração. Aprendemos a apreciar e a valorizar os pequenos gestos que os outros nos oferecem ou a importância da sua presença na nossa vida. 

A Meditação, a par com a minha crença em Deus, tem-me trazido tantas coisas boas! Aprendi a ser mais tolerante com os outros, a perceber as suas atitudes e comportamentos em vez de os julgar, aprendi a sentir a serenidade em mim, mesmo nos dias que estou ansiosa. A meditação também me traz tranquilidade em relação à Vida depois da morte. Faço meditação guiada com taças tibetantas e os momentos que vivencio são inexplicáveis. Encontro respostas que estão mesmo cá dentro e que muitas vezes silencio, encontro coragem, ouço a minha voz a falar comigo, a dar-me tranqulidade, foco, determinação e coragem. A meditação trouxe-me auto-conhecimento e sede por descobrir mais, daí as minhas leituras serem dedicadas, também, a esse tema, para além de fazer meditação com Anjos e leituras de aura.

Para além da meditação com taças, qualquer oração que faça durante o dia é, também, meditar. Nas orações entrego todas as minhas preocupações, falo com os Anjos, recebo respostas. Cada vez que páro, aprecio as nuvens, inspiro e dou Graças pela minha Vida, é meditar. 

Às vezes, dou por mim tão distraída que me esqueço que todo o conforto espiritual está mesmo em parar e respirar um pouco. 

Manter a sanidade no meio de três empregos, deslocações, mudanças de rotina é muito graças à força que encontro na meditação e nas pessoas que intervêm por via dos meus pedidos.

 

Praticar meditação, faz, igualmente, parte do meu estilo de Vida e do que procuro para mim: ajuda-me a reduzir o ruído à minha volta e a levar uma vida mais leve e simples. Com este objetivo e, já desde o ano passado, tenho empreendido algumas mudanças de comportamento, especialmente no que toca ao consumismo e à organização dos meus dias ou da casa. Posso dizer que a meditação trouxe as bases do minimalismo à minha vida, muito naturalmente e sem que eu tenha parado para pensar muito sobre o assunto. Removi o consumo impulsivo e desnecessário (seja de bens materiais, de conteúdos televisivos ocos e mesmo do excesso de comercialismo na rádio), preocupo-me em retirar o que está em excesso, seja em casa, na minha vida ou no meu círculo de pessoas (o que ainda preciso de trabalhar melhor é o tempo livre/aceitar muitos empregos). Parando um pouco para pensar, o meu Pai já era um minimalista desde sempre e, curiosamente, o meu Namorado tem-se revelado uma pessoa cada vez mais simplista, consciente e espiritual que tem sido muito fácil seguir-lhe as pisadas. Portanto, são dois exemplos inspiradores para mim. O blog da Thais Godinho, Vida Organizada, tem sido também uma fonte de inspiração: adquiri, inclusivamente, os livros dela e sigo todo o seu trabalho de perto, desde 2013.

O desapego, aprendido na meditação, tem ajudado também a que, ultimamente, me tenha desligado cada vez mais das redes sociais: comecei por desligar notificações, pois percebi que o Facebook é que "mandava" em mim - era irresistível não ir ver o que se passava ou ler as mensagens dos mil grupos que agora são criados no messenger/whatsapp - terminei a minha relação com o snapchat, publico cada vez menos no Facebook/Instagram e Instagram Stories (ao ponto de me mandarem mensagens a perguntar se estou viva), partilhando apenas conteúdos de interesse: comecei uma limpeza de informações minhas, de amigos e de gostos, de "seguidas" no Instagram; tem sido uma limpeza virtual bastante libertadora. Reduzir o que quero ver no Facebook ou no Instagram faz-me passar menos tempo ao telemóvel; dedico-me a apps que ajudam a desenvolver o meu nível de alemão, por exemplo. Continuo a utilizar bastante o Pinterest, especialmente agora que procuro inspirações para a casa nova, mas sinto-me mais leve, menos disponível para o que é fútil e que não me acrescenta em nada. Na minha vida, estou a manter apenas o que tem realmente valor para mim.

 

Se é a Espiritualidade num todo que me tem conduzido a um caminho mais simples e feliz? Acredito que sim. A melhor parte é que não preciso de me esforçar para isso acontecer, basta parar nos meus dias, apreciar o que tenho, conhecer as minhas necessidades, perceber o que posso mudar para me sentir mais feliz e realizada e seguir caminho com muita gratidão.