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Livro de Reservas

Bem vindos! Sou apenas uma Turista cheia de bagagem, em viagem pela Vida, registando Reservas aqui e ali num Hotel chamado mundo.

Livro de Reservas

06.Jan.20

2020: valorização pessoal

Mi

Um ano passa depressa quando os dias correm no seu vagar veloz. Em 2019, entrei consciente num ano que se revelou, realmente, de busca, auto-conhecimento e descoberta. Foi um ano que aprendi a lidar com o luto do meu avô e do meu tio, acontecimentos que marcaram, sem dúvida, todo o meu ano. O coração enlutado durou semanas, meses a fio e sei que é algo que permanece em mim; o meu estado emocional ao longo do ano foi sempre pautado pela angústia, pela incredulidade, pela percepção da efemeridade à minha volta, em cada resposta aos acontecimentos que iam sucedendo nos meus dias: raiva, tristeza inexplicável ou lágrimas incontroláveis. Aparentemente, poderia ter sido um ano completamente depressivo, mas foi antes um ano de consciência por mim e pelos meus sentimentos e emoções, consciência essa que me levou a procurar e a aceitar que precisava de ajuda.

Tomar consciência de mim, parar para ouvir as injustiças que cometo contra mim, estar consciente de cada atividade do meu dia e aceitar, mais serenamente, o que não é possível transformar, trouxe-me, na grande parte dos meus dias, uma grande tranquilidade.

Foi um Ano feliz, sem dúvida! Senti-me conectada a mim de uma forma incrível!

Iniciei o Ano fazendo mais uma tatuagem plena de sentido e que me preenche espiritualmente, empreendi o desafio de tirar o curso de Decoração de Interiores (quase a terminar!), consolidei a minha formação em espanhol e alemão e continuei extremamente realizada na produção dos Festivais. Com grande satisfação regressei aos meus trabalhos pontuais e, entretanto, decidi deixar o meu emprego no Ginásio, iniciando outros projetos profissionais. Os meus dias continuam plenamente preenchidos e sou feliz por isso. Sou grata por ter a oportunidade e a liberdade de criar a minha realidade, mesmo que muitas vezes me traga dias de preocupação, de dúvida e incerteza nesta rotina que é não ter um posto fixo, com correspondência financeira.

Recebemos o nosso sofá, na nossa casa (que ainda estava tão vazia!), conheci o viciante mundo Netflix, celebrámos os 80 anos da minha avó paterna e tornei a minha Família uma prioridade. Comecei a prática de Yoga, tornei a meditação numa rotina diária, recebi muita inspiração e mensagens espirituais, frequentei círculos femininos, aprendi, ouvi e partilhei. Tomei consciência de mim e da "casa interior por arrumar". Desapeguei-me, de forma feliz e natural, de outras experiências, emoções e pessoas que já lá vão, há muito.

Tornei as minhas varandas em pequenos recantos de descanso, rodeadas de plantas e carinho. Procuro tornar a nossa casa num lar, onde habitem o carinho, a cumplicidade e o amor. Esta é a minha maior missão, todos os dias. A que me tem ensinado muito mais do que eu poderia imaginar ser capaz de aprender. A que me preenche todos os dias.

Fomos ao Ikea tantas vezes, montámos móveis, comemos e cozinhámos almôndegas suecas até não caberem mais no estômago. Saímos para jantar no dia dos Namorados e voltámos a casa para comer pipocas e ver filmes. Vimos o mar.

Cortei o cabelo como há muitos anos não o fazia, apreciei o nascer do sol, os dias de chuva, os dias cinzentos e os dias frios. Observei os pássaros, as borboletas, as minhas gatas. Ofereci flores. Vi o meu querido afilhado (sobrinho) crescer a cada mês, na barriga da minha irmã e senti a benção da vida no meu coração.

Decorei e organizei o nosso duplex. Passeámos no aniversário da minha Mãe - nós os 4, estive mais perto dos meus avós. Cozinhámos um para o outro, preguiçámos no sofá. Confidenciei medos e preocupações nas noites de chá com a S., comemos vegetariano. Superei-me, em cada tarefa, aprendi que "novo é sempre melhor" e fui seguindo, feliz, deixando o passado. Fiz sobremesas, quiches e jantares especiais. 

Adotámos a Luna, fomos a concertos. Realizei projetos de decoração, fui a mais atuações com o Rancho. Fui ao Brunch com a N., apareceu-me um mocho em casa, cuidei da minha Mãe e rezei pelas melhoras do meu Pai. Tomámos o pequeno-aloço na varanda, andámos de moliceiro, comemos hamburguer com batatas fritas, pizza e wraps sentados no sofá, a ver TV. Organizei o Baby Shower surpresa do Dinis, vimos o meu primo licenciar-se. Visitei a Póvoa de Santa Iria, 23 anos depois de ter saído de lá, fui à Quinta dos Patos e tomei o pequeno-almoço a olhar para uma casa que já tinha sido minha. Dormi numa estação de serviço e fiz perto de 3 mil km em 3 dias: cantei, falei sozinha, descobri estradas, comi mini croissants de chocolate, almocei junto ao mar.

Passámos uns dias de descanso na Covilhã e nas Penhas Douradas e apeteceu-me ficar. Fizemos uma roadtrip: cantámos, conversámos, planeámos outras viagens, fizemos piqueniques, passámos em Córdoba, pernoitámos em Granada, visitámos La Alhambra, caminhámos muito, fomos à praia em Málaga, fomos para Sevilha e continuámos a caminhar muito! Passámos tempo em família e segurei um Dinis pequenino de 5 dias, ao colo. Fomos ao brunch, levámos as mães à praia, comprámos a mesa da sala de jantar. Vimos o conccerto do Yann Tiersen, celebrámos o aniversário do meu Pai cá em casa, fui escolhida para ser Madrinha do Dinis. Fiz 31 anos, participei num retiro, orientei workshops, celebrámos o aniversário da Avó, em família.

Voltámos a juntar a Família no Natal, na nossa casa, passeámos, comemos, fomos felizes. Tenho estudado, horas a fio.

Tive a possibilidade de valorizar mais as experiências, fui muito mais consciente a comprar (ou a não comprar, no caso!), a perceber o que realmente me faz falta. Larguei o que não foi preciso.

Foi um ano bonito, cheio de coisas inesquecíveis. Aceitei os dias mais tristes, não esqueci os mais felizes. É tempo para construir novas oportunidades.

 

Depois de pequenas grandes aprendizagens, fica o conhecimento. Para este ano é isso que vou procurar: valorizar o que sou, o conhecimento que tenho de mim e do mundo, consolidar aprendizagens. Sei que é o Ano que vou testar novos limites, arriscar em pequenos projetos e isso, invariavelmente, carregará consigo uma grande bagagem de novas compreensões do que sou capaz de fazer e alcançar com as ferramentas que tive (e tenho) oportunidade de me facultar e oferecer a mim. Estou comprometida para este Novo Ano de 2020: aprender comigo, sentir a liberdade que o conhecimento me traz, ter flexibilidade de decisões, compreender o que tenho, chegar mais longe, valorizar cada passo empreendido. É o Ano de acreditar, de arriscar, de não perder a Fé. De não perder a Fé, nunca.