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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

26
Jan18

Oh Stora! #2

Mi

Hoje esta rubrica traz-me uma tristeza... Talvez mais uma sensação de impotência perante a vida ou a natureza humana. "Oh stora" pode ser hoje, muito bem, um pedido de ajuda.

Numa segunda-feira tenho uma aluna que não apareceu. Já conhecia algum do histórico dela, das conversas ignóbeis entre os meus colegas professores que acham mais fácil julgar e não compreender; um histórico pautado pela rebeldia adolescente que esconde uma personalidade frágil, um medo de rejeição. Nessa segunda-feira a minha aluna não apareceu porque se tentou suicidar. E na sala dos professores só posso perceber comentários de superioridade.

Alguém se apercebeu que aquela miúda de 17 anos podia ter morrido, realmente?

Porque me toca tanto? Porque apesar de ter alunos insolentes, pouco cooperantes, rebeldes e sem postura, é preciso perceber que são pessoas que tenho ali à minha frente, todas as vezes que entro na sala de aula. Mesmo que a sua atenção esteja virada para os telemóveis e para as redes sociais, tenho sempre a ingénua ideia que hei-de chegar a alguém. Como cheguei àquela aluna, no último dia de aulas do 1º período: quando fui capaz de a fazer perceber os seus pontos fortes e lhe mostrei que acredito que ela pode ter sucesso. Posso dizer que a minha aluna olhou para mim e sorriu, envergonhada. Sorriu como se não ouvisse um elogio desde sempre.

Ao voltar, no 2º período, mudou de mesa, começou a participar ainda mais nas minhas aulas e estava motivada. E como eu me sentia feliz! Poder chegar a alguém desta forma é uma realização pessoal.

Então naquela segunda-feira, enquanto observava, demoradamente, a mesa dela vazia, senti uma tristeza imensa. Pensei como nunca mais a poderia ver ali. E isso é triste, porque estamos a falar de um ser humano. Ninguém deveria sentir-se tão sozinho no mundo ao ponto de se querer suicidar. Mas senti também, tanta impotência...

Talvez possa ser considerada ingénua ao pensar que posso mudar a vida destes miúdos, por absorver estas situações. É uma utopia querer transformá-los em pessoas melhores, em querer fazer a diferença na vida deles. Contudo, acredito que talvez consiga, nem que seja por algum momento, dar-lhes alguma inspiração. Tenho a certeza que possuo uma missão em mãos: espalhar luz. Luz e Amor. Porque a rebeldia, para eles, é apenas uma armadura. É a sua frágil arma de defesa.

 

Quando a minha aluna voltará, não sei. Mas o lugar dela está lá. E a minha vontade de a acolher, também. Sem comentários negativos, sem discriminação.

 

 

 

 

 

18
Jan18

Coisas Fofas de 2018 #1

Mi

Como em tudo, nos meus dias, este Post vem atrasado... Duas semanas, sensivelmente... Uma das minhas resoluções de Ano Novo continua a ser melhorar o meu timing... Recebi de presente no Natal, inclusivamente, este relógio, de uma Amiga próxima que vem confirmar as minhas suspeitas...

 

Está a começar um Novo Ano, com algumas melhorias ponderadas. Conversava, com a minha Irmã, que na realidade as mudanças, são um processo. Nada acontece, magicamente, de um dia para o outro. E é verdade... São pequenos passos que nos levam a uma decisão maior, que nos levam ao dia em que não queremos fazer mais de trouxas, não queremos chegar mais atrasados, não queremos deixar portas abertas, queremos encerrar capítulos.

A primeira semana do Ano trouxe-me coisas fofas, apesar de algumas lágrimas:

 

1 - Passar o Novo Ano na companhia de pessoas importantes.

2 - Dispensar um dia inteiro à preguiça no sofá, com ele.

3 - Passar tempo com a minha Mãe, vendo as montras.

4 - Ir ao cinema e comer pipocas desalmadamente.

5 - Regressar à Meditação.

6 - Estar no sofá de minha casa a apreciar a Árvore de Natal e sentir-me grata pela alegria da época festiva.

7 - Apreciar o meu dia de trabalho no Ginásio, após a pausa de Natal.

 

 

 

06
Jan18

Desvairos #9

Mi

Ontem foi a vez de chorar, desalmadamente, por uma sopa que encontrou o seu jazigo no meu imaculado chão da cozinha. Isto em psicologia chama-se deslocamento. Não estou triste pela sopa. Estou triste por tudo menos pela sopa.

Dizem os entendidos da organização que se nos quisermos sentir em equilíbrio devemos arrumar gavetas, pois uma gaveta desarrumada é o espelho dos nossos dias. Hoje abri uma das gavetas da minha secretária e descobri porque me sinto tão frágil e tão desarrumada da vida...

Mas hoje também foi o dia que regressei à meditação. Terminar a meditação com uma imagem maravilhosa que me surgiu, em que estava envolvida e embalada, qual bebé num colo, em asas gigantes de um Anjo, tão brilhantes, tão confortantes, alimentou a minha serenidade. O Ano Novo iniciou há quase 1 semana. Quase me esqueço. 2017 trouxe mudanças: de casa, de atitude, de pensamento, de perspectivas.

Revivem-se os sonhos em mais um Ano vindouro: desejo e projecto realizações que almejo cumprir. Por mim. Para manter a minha paz interior, o meu equilíbrio e a minha sanidade. Coisas tão simples como organizar-me mais, deixar de procrastinar, desligar-me mais das redes sociais, ler mais, trabalhar mais, atrasar-me menos, dizer mais "não", dizer alguns "adeus" importantes e ser fiel a todas as coisas que surgirem para serem encerradas. Tão simples assim.

Chega a hora que precisamos apenas de nos desligar,  aconchegarmo-nos no colo de quem não nos pede explicações, apenas nos abraça e nos faz sentir que toda a nossa Vida continua a fazer sentido e que não somos pessoas tão más ou tão culpadas como imaginamos na nossa cabeça. Então o choro desaparece: o choro pela sopa, pelo computador... Dá lugar a sorrisos trocados entre goladas de chá e garfadas de bolo, no lugar do costume, com quem sempre quis estar do nosso lado.

(Este Texto está em desacordo ortográfico)

 

 

04
Jan18

Desvairos #8

Mi

O meu querido computador revoltou-se desde que mudei de casa, então a minha motivação para estar sentada na minha secretária a trabalhar ou a escrever tem sido diminuida ao longo destes meses... É um ingrato, o meu computador, ofereci-lhe um cabo de rede e tudo e mesmo assim deixa-me na mão.

Ontem dei por mim a chorar, desalmadamente, pela ingratidão do meu computador. Enervou-me de tal maneira que me fez chorar. No meio dos soluços e do choro compulsivo, no meio do abraço dele tão protector e reconfortante, percebi que a culpa de tanto choro não é do computador.

É do inesperado, da mágoa, da surpresa negativa, das expectativas, da sensação de "pequenez" que me incapacita. É de tudo que tem estado enrolado e escondido nas gavetas do pensamento.

Não que os meus dias andem assim tão cinzentos que acabem em lágrimas gordas a escorrer pela cara. Só o coração anda apertadinho... porque a vida é feita de transições, de novas etapas e de escolhas... porque não adiantam as expectativas, pois a vida sempre dá um jeito de nos surpreender, para o bem e para o mal.

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

 

 

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Bem-vindos às dificuldades, às histórias, aos testemunhos e às curiosidades, às horas de desespero e de realização de uma Técnica Superior de Turismo que em part-time não passa de uma Turista vagueando pela vida, fazendo reservas aqui e ali num Hotel chamado Mundo.

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