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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

26
Fev16

O recrutamento no século XXI

Mi

Lembram-se desta entrevista aqui? Pois bem, fui hoje chamada à empresa para saber que me tinham seleccionado (aparentemente, o discurso de falsidade resulta) e fiquei a saber também que as condições mudaram e agora seria para estágio profissional. Esta empresa aqui, dona de si, pretensiosa e com a mania que é boa empregadora é igual a um par de centenas que pululam por aí. E ficam com cara de choque quando temos a coragem de recusar a oferta. Eu sou uma pessoa politicamente correcta, não "bato com a porta" com má educação e, vendo a forma como as pessoa recrutadoras tratam os futuros colaboradores só porque dizem que não aceitam, acredito que muitas coisas têm de mudar. Especialmente aprenderem a lidar com a rejeição...

 

No final do ano passado aconteceu-me uma coisa semelhante com uma multinacional aqui da região. Eu candidatei-me para uma vaga como Assistente de Gerência Hoteleira e, depois de todo o processo de recrutamento, ligam-me a dizer que fui seleccionada para outra vaga, como Recepcionista de Hotel (ok...) Tive a coragem de dizer que não estava interessada e consegui perceber a estupefacção na voz de quem me ligou, do género: Como não?! Como não quer vir trabalhar para um grupo multinacional que paga o salário mínimo aos colaboradores, onde as condições são obscuras e só entra em funções "importantes" se tiver uma cunha?

 

Começa a ser demasiado óbvio o poderio que as entidades empregadoras sentem ao terem meia dúzia de currículos na mão, com ofertas precárias, utilizando o mesmo argumento de sempre: se tu não quiseres, há mais quem queira. E o valor que essa pessoa poderá ter para a empresa? Não se luta por ela, nem um bocadinho? O mundo do trabalho está uma selva, aliás, o Mundo em geral... Ir a entrevistas são oportunidades, sempre. Sobretudo de aprendizagem.  Eu já desconfio de duas coisas muito importantes que considero reflectirem muito dos valores da Empresa:

1 - Quando só falam em dinheiro;

2 - Quando todos os colegas têm de se tratar por Drs. ou Engenheiros;

 

No fundo, ando saturada disto tudo; mas lá tem que ser...

Hoje estou satisfeita por ter sido fiel às minhas próprias aspirações. Sou uma pessoa introvertida, custa-me dizer não, recusar na cara é um desafio... Contudo, rejeitar ofertas neste tempo de "crise" faz-me sentir uma péssima pessoa, sobretudo por parecer estar em contradição e por sentir que decepciono quem está à minha volta.

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

24
Fev16

Ainda sobre as Entrevistas de Emprego...

Mi

A minha mais recente entrevista resume-se a isto:

- Blá, blá, blá... perguntas do costume... blá, blá, blá... Até que chega a parte em que é apresentada a empresa e as condições propostas:

- O trabalho exige muita responsabilidade, pois terá que se deslocar de repente para o Algarve, por exemplo, para levar os materiais e produtos necessários para os eventos. É capaz disso? Há eventos que decorrem à noite e ao fim de semana, pelo que terá que ter disponibilidade fora do horário normal de trabalho. Outra coisa que é importante referir é que aqui não existem banco de horas. Mas caso precise de um dia para ir ao médico, não lhe marcamos falta. Parece-lhe, ainda assim, uma boa proposta de trabalho?

Respondo eu:

- Claro, são tudo funções inerentes a este cargo, que compreendo perfeitamente (entretanto está o meu cérebro a dizer-me: Mas que m**** é que acabaste de dizer?!)

Contrapõem eles:

- Continua a considerar esta uma boa proposta?

Eu: - Esta função continua a corresponder às minhas expectativas profissionais (volta a dizer-me o meu cérebro: Mas estás pedrada, ou quê?!) (e esta resposta não soa a super falso, ou é só de mim?)!

 

Agora pergunto eu, mesmo depois deste pequeno desabafo, se alguém na mesma situação teria coragem de dizer que "Olhe, não me leve a mal, mas afinal não estou interessada em trabalhar feita escrava, 3 semanas seguidas, sem ter tempo para a minha família, para dormir ou para recuperar a minha sanidade mental. Passem bem".

Será que é só de mim, ou toda a gente mente um bocadinho nas entrevistas?

O mercado de trabalho vai mesmo bem, em Portugal... upa, upa... Vai uma pessoa fazer 80 km para aturar estas coisas...

 

 

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

07
Fev16

Experiência Curricular: Entrevistas de Trabalho

Mi

Acredito piamente que daqui a um par de anos realizar muitas entrevistas de emprego começa "a contar" para o currículo". E em vez de perguntarem se naquele hiato de tempo estivemos "sem fazer nada", sempre podemos colocar as entrevistas a que fomos. E mais, é preciso limar qualificações para entender a psicologia das entrevistas. Não pela sua complexidade, mas pela sua imprevisibilidade. Ora vejamos:

 

1 - Fazemos 300 km para ir a uma entrevista para sermos insultados pelo entrevistador. Sim, aconteceu-me. Está bem, eu era uma jovem de 21 anos, ingénua, que apostava na roupa mais segura para as entrevistas (calça preta e camisa branca), cabelo apanhado e sem maquilhagem (nunca fui muito boa nisto). O homenzinho mostra-me o espaço todo, quintas, apartamentos e tal... leva-me para a entrevista em si e vem-me dizer que teve entrevistadas que se arranjavam um pouco melhor, para eu ter cuidado com a concorrência. E que o meu nível de alemão era bom, mas que não estava impressionado. Ligou-me uma semana depois, pois eu tinha sido seleccionada. Recusei. Duas vezes.

 

2 - Em Concursos Públicos é a praga dos Testes Psicotécnicos. Não há muito tempo (e foi para uma Empresa particular) aldrabei os testes, pois já estava cansada. Ligaram-me para uma vaga como Recepcionista de Hotel... hello?!

 

3 - É de desconfiar sempre que vamos a uma entrevista e o entrevistador só fala em dinheiro, nos ganhos, na flexibilidade... e eu lá tenho que responder com umas falas que eu já tenho pensadas para o meu trabalho de sonho, só para parecer que afinal estou muito interessada na vaga. Coisas como: "o dinheiro é importante, mas ser realizada profissionalmente é mais satisfatório para mim". Isto é uma verdade que habita no meu coração e deixo-vos com esta dica também, caso precisem de uma resposta feita.

 

4 - Uma vez fui a uma entrevista... Naquela mesma época em que eu era muito ingénua. Respondi a um anúncio para a área de Marketing. Quando dei conta, estava a ser colocada num carro e andei a acompanhar a venda de produtos da Optimus (ainda era esta marca) numa aldeia recôndita. No final do dia, vem o discurso do dinheiro. Acontece que na altura eu ainda não fingia tão bem e disse que estava entusiasmada com a ideia, mas que estava a pensar aceitar outra proposta na minha área (isto é mentira. Mas é a desculpa que mais uso quando sou seleccionada para vagas que afinal me saíram expectativas furadas). E não digam a ninguém, mas dissuadi alguns velhotes a não comprarem nada daquelas porcarias... opá...

 

5 - Não dá para deixar passar, igualmente, a entrevista em que fui colocada na mesma sala com outra pessoa. O senhor apresentou a empresa e as condições, mas que estava tudo ainda muito em aberto. Pagamento a recibos verdes, horário pós-laboral e duração de 6 meses. O sonho de qualquer pessoa!

Depois das apresentações e para poupar tempo (segundo o mesmo senhor, que até era de Recursos Humanos), faz ali a entrevista sem mandar ninguém embora. Só pergunta quem queria ser primeiro e eu, com a minha ultra maturidade, ofereço-me claro (sim, que há coisas que já consigo fazer mesmo que saiam da minha zona de conforto). A outra rapariga lá ouviu a minha entrevista, as minhas "graxices" e as minhas respostas pré-fabricadas do género: "De todos, qual foi o emprego que mais detestou?" "Na verdade, não houve nenhum que eu detestasse. Não considero que tivesse tido uma má experiência em nenhum dos meus empregos anteriores. Considero que todos me proporcionaram experiências interessantes, com pontos positivos e negativos, mas nenhum me marcou negativamente" A sério?! Acham que isto vos soa a sinceridade? Sim? Então é melhor reler isto ou isto.

 

6 - E quando as condições não eram nada do que estamos à espera, mas mesmo assim temos de continuar a fingir que estamos muito interessados em ficar com o lugar... Normalmente, é sempre nestes que sou seleccionada... quando eu vejo um asterisco ou uma bolinha a frente do meu nome, já sei... Normalmente, marcam o meu nome depois de uma pergunta curiosa: "Então, achou interessante a proposta? Aceita estas condições?" Ok... a minha super maturidade ainda não me permitiu dizer um Não redondo na cara do entrevistador... Se eu tenho dificuldade a dizer que Não às minhas pessoas mais próximas (quando me perguntam se eu quero bolachas com Nutella, por exemplo), com que cara é que eu vou dizer ao entrevistador que afinal não estou interessada? Mas o que será que passa na cabeça dos entrevistadores? Supostamente alguém que se candidata não tem intenção de recusar o emprego logo assim, tão de repente, na entrevista, depois de uma pergunta daquelas. As pessoas não sabem que temos de processar? E claro que me limito a dizer que sim, num tom de voz que coloca reticências no fim.

 

7 - E depois ainda vem a fatídica pergunta: "Qual o seu pior defeito?" Muitas vezes sou tentada a responder: "Sou mentirosa nas entrevistas para empregos".

 

 

 

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

 

17
Nov15

Dias de Sorte...

Mi

Volta e meia cá estou eu a enviar currículos, a procurar o meu lugar ao sol, buscando a realização profissional. Desde que me licenciei já fui a tantas, mas tanta entrevistas... já fiz tantas provas para concursos públicos e também já perdi a conta aos testes psicotécnicos. De tanta "experiência" junta, já sei que se vou muito descontraída, não vou passar, se vou muito nervosa, já sei que estou entre os seleccionados. E o que acontece depois? Algumas vezes, as portas fecham-se e não quer dizer que falhei, outras vezes, sou eu que lhes dou um leve encontrão...

Nestes anos todos tenho aprendido algumas coisas com as entrevistas e, quanto mais amadurecemos, mais percebemos aquilo que realmente queremos da nossa vida. Não ando "sôfrega" a aceitar o primeiro emprego que me aparece... pois apercebi-me que as entrevistas servem também para conhecermos a política da empresa, para compreender se os valores se identificam com os nossos, se nos sentimos a "encaixar" naquele local que será o nosso futuro posto de trabalho. E é aí que muitas vezes somos nós a fechar as portas. E acho que não tem mal nenhum. Há quem possa pensar ou dizer "com esta crise ainda te dás ao luxo de recusar propostas". Só considero que tudo tem uma fase na vida... e acho que não estou mais na fase de me "sujeitar", de agarrar o que vier. Não quero ser mal interpretada... o que estou a tentar dizer é que não me consigo conformar com o que simplesmente aparece. Não tenho medo de trabalhar, na verdade! Já andei de piaçaba na mão a limpar casas de banho, todos os dias, e não morri por isso. Mas claro que quando me licenciei criei objectivos e expectativas que continuo a procurar. Porque acredito que a sorte se procura. E eu tenho procurado... se tenho!

 

Hoje realizei mais uma catrefada  caterva de testes psicotécnicos. E só não entendo como é que "enfiam" meia dúzia de pessoas que não se conhecem de lado nenhum, nem travam conversa na sala de espera, para um "exercício de grupo" em que temos sempre que escolher ou 10 pessoas, ou 10 objectos ou 10 sei lá o quê. Isto para mim sai tanto da minha zona de conforto que me apetece sair. Pior é quando entram os "avaliadores" e são mais que o número de pessoas a serem sujeitas à avaliação. E rabiscam, rabiscam e eu ali a tentar convencer as pessoas que é sempre melhor levar 5 mantas para uma avalanche nos Pirinéus que uma lona de 5 metros. E alguém me pode esclarecer também se é legal ficar 3 horas a fazer testes psicotécnicos? Eu já estava tão cheia de fome que comecei a aldrabar os testes não sei de quê bateria comercial e não sei quê de personalidade, só para despachar a coisa. Aquele dos dominós ainda se safou... (pudera, foi logo o primeiro). Acho que o que safou o meu dia, foi sair, já tarde, depois do sol posto, com um frio do caraças e cruzar-me com a senhora das castanhas. Isso é que me aqueceu a alma. E lá fui toda contente pela rua a cheirar a Outono e a dias frios, comendo castanhas, aquecendo as mãos no pseudo-cartucho (que agora não pode ser de jornal) e a pensar como sou feliz por querer encontrar o meu lugar no mundo. A sorte procura-se. Acho que é importante reiterar... Eu continuo a procurar a minha.

 

 

18
Dez14

Como saber se está infeliz com o seu emprego

Mi
Parece uma afirmação quase óbvia. Desde pequenos que temos a mania de sabermos logo o que gostamos e o que não gostamos, e dizemos, sem preconceitos, a quem se atreve a questionar-nos a nossa sincera opinião: batatas fritas em vez de esparregado, da tia Lili em vez da amiga chata da mãe, de jogar tetris debaixo dos lençóis em vez de dormir (olá geração de 80).
Ora bem, parece que com o crescimento surge uma espécie de barreira maquiavélica que não nos permite fazer aquilo que gostamos e esquecemo-nos, inclusivamente, de assumir a nossa posição em relação ao que realmente "nos cai no goto". Temos informação a mais e demasiado confusa na nossa cabeça para perceber se estamos realmente felizes ou acomodados. Por isso é que nunca sabemos se afinal gostamos mesmo do nosso emprego, ou gostamos de uns trocos ao fim do mês e de "estar entretido" durante a semana.
Hoje trago aqui uma lista preciosa de sinais, para que possa perceber se está infeliz com o seu emprego, ou se está a fazer algo que realmente gosta:

Como saber se está infeliz com o seu emprego:


1- Insulta os seus chefes mentalmente enquanto eles falam consigo;
2- Passa o dia a fingir que trabalha, quando na verdade anda a navegar na internet à procura de oportunidades de emprego e de artigos sobre "como saber se chegou a altura de se demitir" ou até mesmo "como saber se está infeliz com o seu emprego";
3- Actualiza o seu Blog na hora de expediente;
4- Não participa de eventos sociais da empresa, porque sabe que os seus colegas são umas ovelhas ronhosas e quando realmente precisa deles ninguém colabora. Entende, portanto, que não vale a pena andar a engraxar ninguém nem fingir que são todos muito amigos só para as "comilanças" (o mesmo se aplica aos seus chefes);
5- Chega atrasado de manhã porque quando pensa em se levantar e olhar para a cara de todos eles, deseja que lhe dê um ataque logo ali na sua confortável cama;
6- Chega atrasado depois de almoço porque "surgiu um imprevisto";
7- Cumpre escrupulosamente o horário de saída, ainda que só tenha entrado ao trabalho meia hora antes (porque surgiu "um imprevisto") pois os horários de saída são para respeitar;
8- Finge ter algum problema a meio da tarde para poder sair mais cedo e ir fazer compras de Natal;
9- Só pensa em maneiras de ser demitido sem justa causa, para que possa, pelo menos, ter algum rendimento enquanto se aventura no Novo Mundo (e para que não pareça tão negativo chegar a casa e dizer: demiti-me! (com ar de super guerreiro). Sempre tem outro impacto chegar a casa e dizer: fui demitido... (e fazer uma cara triste). Os comentários, as reacções e a complacência são outros... acredite.). Em último caso faz Novenas, pede Milagres e reza a todos os Santos que lhe encontrem uma solução para que não lhe renovem o contrato;
10- Na altura de desespero, acorda uma manhã decidido a ir falar com o chefe e negociar a sua saída. Até que chega à empresa e se depara que o chefe, mais uma vez, não aparece nesse dia;
11- Já só consegue pensar numa solução radical: espetar uma tesoura ou qualquer objecto pontiagudo no peito para acabar com o seu sofrimento.

Se respondeu "Sim" a uma ou mais afirmações é melhor mudar de rumo... Ou ainda o vão encontrar numa poça de sangue e com uma tesoura ao lado.
Não descure a sua sanidade mental.  

"You don't hate mondays, you just hate your job".








(Este texto está em Desacordo Ortográfico)
09
Out12

Breakfast included

Mi

Ao fazer o turno da noite, o meu passatempo preferido é montar o pequeno almoço. A emoção do contra-relógio, desafiando records pessoais, junto com a adrenalina de, sozinha, conseguir preparar um belo buffet de pequeno almoço para os meus simpáticos hóspedes (que muitas vezes passam das 50 pessoas).
Reitero o meu ódio de estimação que alimento todas as vezes pelo Fiambre e mais recentemente pelo Presunto Ibérico em fatias, que não descola da embalagem, nem com diluente.
Quando depois de 2 horas e pouco de luta com a mais diversa qualidade alimentícia para pequeno-almoço, orgulho-me de olhar para as mesas, como uma meta vencida. Venci a corrida contra o relógio e venci todas as especificidades do mise en place que um pequeno almoço buffet obriga.
Os guardanapos perfeitamente dobrados nas mesas, os talheres imaculadamente brilhantes, a loiça organizada, o queijo e o fiambre num jogo de simetria no prato, o queijinho fresco e o presunto geometricamente dispostos, a fruta laminada, o pão... O sentimento que surje é de uma obra-prima acabada. A vantagem é poder repetir centenas de vezes esta obra de arte, olhando cada vez mais aos pormenores.
Tudo isto, leva-nos ao diferente tipo de Clientes que se sentam à mesa no Pequeno-Almoço.
A abertura oficial da Sala é as 7h e em dias de semana, os primeiros clientes madrugadores a chegarem timidamente, são distinguidos pelo arrastar das cadeiras que ecoam num hotel semi adormecido ainda. Estes são os hóspedes mais ou menos habituais que saem cedo para poderem ir trabalhar. Ao fim de semana, o meu turno acaba e não vejo uma alminha na sala do pequeno-almoço. Reza a lenda, que só a partir das 10h (que é a hora do fecho da sala) é que vão aparecendo os primeiros corajosos.
Então na Sala do Pequeno Almoço é possível distinguir pelo menos 3 Grupos:
1º Grupo: Os que usam a chávena, o pires e só mais um pratinho para colocarem o Pão e o Fiambre/ Queijo ou que for para acompanhar. Estes clientes, normalmente deixam a toalha imaculada, sem nódoas de café ou sumo, sem migalhas e sem roubarem os talheres do lugar vizinho. Retirar a loiça destes Clientes é o maior prazer, mesmo depois de um turno comprido da Noite.
2º Grupo: Os que usam a chávena, o pires, o pratinho para o Pão, o pratinho para os acompanhantes, o pratinho para a fruta, a tigela de cereais e um Iogurte. Usam um copo para a água, outro para o sumo de laranja e outro para o néctar de pêra. Experimentam uma variedade de chá, o que os leva a colocar mais uma chávena na mesa. Estes são aqueles que experimentam tudo e deixam metade no prato, porque como já diziam os meus Pais "têm mais olhos que barriga". A par disso, fica uma montanha de loiça e uma panóplia de talheres na mesa, que faz qualquer ser humano duvidar que só uma pessoa ali esteve a comer. Normalmente depois destes clientes, tenho sempre que colocar uma toalha nova e refazer tudo.
3º Grupo: É o grupo que inclui os Clientes fãs de um só alimento do buffet, como é o caso do queijinho fresco. Depois de horas de trabalho, as meias luas do queijinho fresco foram fazer luar para outras paragens.
O pequeno almoço é um dos mais meticulosos trabalhos dentro do Hotel, capaz de pôr à prova o mais paciente Recepcionista que apareça.
Eu por mim só tenho pena que os nossos Hóspedes não parem para admirar a maravilhosa obra que nasceu na Sala, enquanto dormiam profundamente nos seus quartos.
Bom Apetite.


 Fonte da Imagem: bellezafashion.blogs.sapo.pt

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

02
Out12

Truques de Sedução

Mi

 Chega ao bar do Hotel e pede uma Imperial fresquinha. Muito simpáticamente o menino ou a menina que o atende serve-lhe a sua bebida e a acompanhar uns frutos secos. Recusa delicadamente, pensando que vai deixar metade do seu orçamento naquele pirezinho de tentadores salgadinhos das mais diversas variedades e tamanhos. O menino ou a menina que o atende diz-lhe que são oferta. Parece-lhe familiar?
Temos dois motivos porque o fazemos:
1º - estamos mesmo a tentar ser simpáticos! É o meu truque de conquista de hóspedes!

2º - (agora vem esta razão que com toda a certeza descredibilizará o 1º motivo e que a sua revelação me vai custar o emprego e a aceitação na massa hoteleira) Ora aqui vai a revelação: Oferecemos o pirezinho para que possa consumir mais uma Imperial... é que os salgadinhos sempre dão sede...
 
E sai mais uma Imperial!
 
 
 



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

01
Out12

Registo de Hóspedes

Mi

 

 

Tenho quase 1 ano e 9 meses de casa, mas já vi passar centenas de hóspedes todos com as suas especificidades de personalidade e carácter. Com uns é possível dialogar, questionar, conversar, confidenciar e solicitar a sua paciência muito facilmente… Há outros, que me deixam logo a tremer dos joelhos mal entram a porta do Hotel. Há caras novas todos os dias e caras familiares que permanecem dia após dia, somando semanas e meses de estada.
Lembro-me que o primeiro grupo que registei mandei-o para os quartos sem estes ainda estarem arrumados. Não deu muita barraca, porque a colega que me estava a orientar avisou-os a tempo… Depois desse, vieram muitos.. muitos mais! Desde Peregrinos a Motards, famílias inteiras, turistas e pessoas chiques em grupo. Há depois os hóspedes de empresas que fazem do Hotel a sua casa, e de nós a sua família. Havia o senhor que ficava sempre no mesmo quarto, encomendava pizzas para o nosso jantar, fazia trocadilhos com músicas e dava-me lições importantes. De há um ano para cá, deixou esta família para se juntar à dele e recuperar o tempo perdido. Há o senhor colega dele que continua a marcar presença. É uma pessoa sociável também, mas impõe o seu respeito e eu nunca sei bem como reagir ao pé dele. Gosta de atirar a chave para cima do balcão e de ler as notícias antes de ir para o quarto. Entretanto começaram a vir outros novos, como o senhor que é médico, que nunca quer o ticket do multibanco agrafado à Factura e gosta de iogurtes naturais ao pequeno-almoço. Depois, pelo menos uma vez por mês, vem também aquele senhor super simpático e divertido que quando pede uma tosta e um fino me diz que não precisa de ser a correr. Reclama sempre do preço do fax e eu secretamente lá lhe faço uma atençãozinha por ser uma pessoa tão acessível. Há também o senhor simpático que é veterinário e que gosta de comer sopa e uma tosta e beber um chá antes de ir dormir. Adoptou-nos também como a sua família e a mim cativou-me na primeira tosta que pediu neste Hotel. Há também aquele senhor que só o consegui fazer sorrir uma vez, mas que transparece uma tranquilidade e amizade na sua voz. Há depois aquele senhor com idade para ser meu avô, muito querido e simpático que toma sempre o pequeno-almoço às 6h da manhã. Existe ainda a menina super querida que gosta de ficar nos quartos perto da recepção e a senhora que nunca sei quando vai comer sopa.
Depois há o senhor emigrante que gosta do seu copo de vinho e de dois dedos de conversa antes de ir para o quarto e o outro emigrante que me dá pena quando tem que se ir embora. Há ainda o senhor, que não sendo hóspede, vem sempre cá tomar o café. É uma pessoa culta e informada e gosto bastante de conversar com ele. Há ainda o grupo que se reúne uma vez por semana e aquele jovem que depois de mais de meio ano se despediu também de nós. Há ainda aqueles que vêm poucas vezes, mas que não os deixamos de conhecer e aquele espanhol que fica sempre contente em me ver por aqui. 
Há muitos que vêm e que vão e outros tantos que ainda hão-de aparecer.



(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

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