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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

09
Nov16

Rabiscos - XIII

Mi

Entrou no seu carro e olhou para o vazio, desligou a música sem sentido e respirou fundo. O mesmo erro. Era um erro, agora, ela sabia. Um erro que não a fazia arrepender, mas que a consumiu emocionalmente. Porquê procurar a vida no que está enterrado? A esperança num beco sem saída? A página virou. Virou no momento que ela bateu com a porta do carro dele, no momento que virou costas e não olhou para trás para lhe sorrir, como sempre fez.

Ele nunca lhe pertenceu e agora que ela se apercebia disso, sentia revolta, vergonha e sentia-se vulgar... Tão vulgar e pequenina... Tão desamparada...Tão rejeitada. Não foi feita para descompromissos, para metades, para incertezas. Foi feita para apaixonar-se loucamente e ser correspondida, para partilhar memórias e momentos, para amar incontrolavelmente. Mas o que é que ela era, afinal? Um refúgio para as noites dele de solidão? Uma consolação? Um passatempo?  Imaginá-lo com outras dava-lhe náuseas... Pensar que algum dia poderiam ter sido uma história fê-la sentir tão ingénua... E porque é que ele continuava a fazer questão em querer encontrá-la, tão esporadicamente, como uma lembrança quase apagada??

Queria, naquele momento, ali sentada, fugir e começar tudo de novo. Porque não? Partir e reinventar uma história nova na sua vida, mais coerente, mais feliz, com menos mágoas. Gostaria de arrancar, ferozmente, aquele pedaço de coração que ele lhe roubou, à revelia, e atirar-lho à cara. A raiva atacava-a, nesse instante... Dele? Dela própria? Não conseguia perceber. Sete meses... há exactamente sete meses que ele veio agitar os seus dias, e, como um furacão, deixou-a com os estilhaços em mãos. Estilhaços que, naquele momento em que ele a beijou, se cravaram, directamente, numa ferida mal fechada. Não havia mais dor, apenas a certeza que ela já não o queria. A certeza que o tempo dela o querer resgatar chegou ao fim. Acabou-se a saudade. Estava dormente... tão dormente...

Chegou a casa, refugiou-se debaixo do calor dos cobertores e chorou... até a mágoa se dissipar num sono profundo.

 

 

 

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

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Bem-vindos às dificuldades, às histórias, aos testemunhos e às curiosidades, às horas de desespero e de realização de uma Técnica Superior de Turismo que em part-time não passa de uma Turista vagueando pela vida, fazendo reservas aqui e ali num Hotel chamado Mundo.

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