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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

20
Set17

Confissões #2

Mi

Como descobrir onde chegar? É a intuição que me leva, que me tem trazido desde que aprendi a não me resignar. A não me confortar no desconfortável. A não ter medo de avançar, mesmo devagarinho. Chegeui a uma fase da minha vida em que tenho o que preciso, neste momento, para me sentir realizada e feliz, pessoal e profissionalmente.

 

Foi uma longa jornada de empregos desde que tive a coragem de sair detrás do balcão de uma recepção de hotel. Foi uma escola importante para mim: aprender a lidar com a pressão, a antecipar situações, lidar com pessoas, aprender a resolver conflitos e situações inesperadas na hora. Deixei a hotelaria sem qualquer perspectiva, para logo abraçar um Projecto Enoturístico que se tornou o meu bebé: estive na sua concepção, no seu desenvolvimento e no seu nascimento. Até que depois de todo o trabalho, achei que ali ainda não era o meu lugar. Os horários das 09h às 17h já não me fascinavam, a rotina, a falta de credibilidade que me atribuíam, a mim, uma miúda, no meio de "empresários", fez-me ter a coragem de bater com a porta contra todas as previsões. Ouvi coisas péssimas de pessoas próximas de mim, chorei sozinha tantas vezes por saber que nunca ninguém entenderia a minha decisão. Até que passou. E eu fui atrás do sonho de ser Formadora. Tirei o CCP a contar os tostões, uma vez que estava desempregada voluntariamente. Comecei a colocar anúncios na internet após a conclusão  e comecei a ter possibilidade de dar formação a particulares. Pelo meio, tive a infeliz ideia de aceitar trabalhar com um colega na abertura de um Bar, do qual fugi assim que tive oportunidade. Enfim, não me arrependi! E, pelo menos desta vez, trouxe o subsídio de desemprego comigo... A sorte começou a avizinhar-se ao ser chamada para colaborar directamente na logística de um evento musical na Cidade que me preencheu, incrivelmente. Trouxe-me realização, autonomia e um grande poder de responsabilidade. Continuei nas minhas traduções, a apoiar administrativamente algumas entidades, a acompanhar grupos em excursões, em explicações e fui-me sentindo realizada ao perceber o quão longe poderia chegar e o quão realizada me sentia por não ter rotinas, horários fixos.

 

Continuei a dar formação, já ao abrigo do IEFP e senti-me incrivelmente feliz na primeira experiência enquanto formadora "a sério". Outro ano passou e voltei ao mesmo evento, desta vez com outra maturidade e com o dobro da responsabilidade. Logo, logo, fui chamada para a produção de outro evento ao qual me dediquei completamente e que adorei organizar.

Agora estou aqui, num part-time temporário a fazer Auditorias e a gerir a equipa, num Centro Comercial, quase quase a inciar um part-time na recepção de um ginásio, com um projecto pendente com uma escola de formação e uma proposta de emprego para uma Escola Profissional aqui perto

 

E, assim, fui encontrando o meu caminho. Os meus dias foram passando no meio de mudanças, abdicando de algumas pequenas coisas como sentar-me a escrever, ou a ler um livro.

 

Muitas entrevistas se passaram, muitas lágirmas caíram e muitos "nãos" disse, também. Foi a intuição que me trouxe até aqui. Foi a vontade de chegar mais longe, a minha ingenuidade na busca dos sonhos. Foi a persistência que me trouxe. O desapego.

 

As pessoas perguntam-me sempre: então e o que é que tu fazes? E eu penso sempre antes de responder: essa pergunta é muito difícil, porque eu faço um pouco de tudo, mas faço apenas tudo o que gosto e isso reflecte o meu estilo de vida: experimentar tantas coisas! As pessoas só querem rótulos, uma profissão, uma ocupação. E eu, tenho tanto por explicar! :)

 

(Este Texto está em Desacordo Ortográfico) 

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Bem-vindos às dificuldades, às histórias, aos testemunhos e às curiosidades, às horas de desespero e de realização de uma Técnica Superior de Turismo que em part-time não passa de uma Turista vagueando pela vida, fazendo reservas aqui e ali num Hotel chamado Mundo.

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