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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

21
Set17

Rabiscos - XXII

Mi

Sentou-se a apreciar o sol de outono, quase um ano depois, no mesmo sítio. Se ela soubesse o que precisaria de caminhar, até ter sentido este desapego, não teria tido nenhuma recaída pela sua jornada, não teria alimentado tantas vãs expectativas. Assim, o caminho teria sido mais curto, mas talvez menos produtivo. A vida é tão irónica que ao procurar casa foi instalar-se, exactamente, no mesmo bairro que ele. E ela perguntava-se porquê da vida teimar em juntá-los, com toda a mágoa que isso sempre lhe provocou.

Passou muito tempo. Brotaram muitas lágrimas até a dor desaparecer, até o sentimento morrer e ter deixado apenas indiferença. As mensagens já não lhe trazem pulos de alegria, nem um nó no coração, já não o quer ver mais. Não ambiciona cruzar-se com ele, acidentalmente, na rua. Deixou de o perseguir virtualmente e percebeu o jogador que ele era, que há muito tempo lhe bateu à porta. Ela desapareceu da vida dele, simplesmente, devagarinho e, mesmo assim, ela sentia que lhe despertava curiosidade. O silêncio dela fazia com que ele a procurasse. Ela perguntava-se porquê, mas deixou de ceder.

 

Estremeceu e acordou dos seus pensamentos assim que sentiu um abraço sorrateiro, confortável e protector. Tinha outro homem na sua vida. Sorriu, levantou-se e aconchegou-se nos braços que a resgataram, de novo, para a felicidade.

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

20
Set17

Confissões #2

Mi

Como descobrir onde chegar? É a intuição que me leva, que me tem trazido desde que aprendi a não me resignar. A não me confortar no desconfortável. A não ter medo de avançar, mesmo devagarinho. Chegeui a uma fase da minha vida em que tenho o que preciso, neste momento, para me sentir realizada e feliz, pessoal e profissionalmente.

 

Foi uma longa jornada de empregos desde que tive a coragem de sair detrás do balcão de uma recepção de hotel. Foi uma escola importante para mim: aprender a lidar com a pressão, a antecipar situações, lidar com pessoas, aprender a resolver conflitos e situações inesperadas na hora. Deixei a hotelaria sem qualquer perspectiva, para logo abraçar um Projecto Enoturístico que se tornou o meu bebé: estive na sua concepção, no seu desenvolvimento e no seu nascimento. Até que depois de todo o trabalho, achei que ali ainda não era o meu lugar. Os horários das 09h às 17h já não me fascinavam, a rotina, a falta de credibilidade que me atribuíam, a mim, uma miúda, no meio de "empresários", fez-me ter a coragem de bater com a porta contra todas as previsões. Ouvi coisas péssimas de pessoas próximas de mim, chorei sozinha tantas vezes por saber que nunca ninguém entenderia a minha decisão. Até que passou. E eu fui atrás do sonho de ser Formadora. Tirei o CCP a contar os tostões, uma vez que estava desempregada voluntariamente. Comecei a colocar anúncios na internet após a conclusão  e comecei a ter possibilidade de dar formação a particulares. Pelo meio, tive a infeliz ideia de aceitar trabalhar com um colega na abertura de um Bar, do qual fugi assim que tive oportunidade. Enfim, não me arrependi! E, pelo menos desta vez, trouxe o subsídio de desemprego comigo... A sorte começou a avizinhar-se ao ser chamada para colaborar directamente na logística de um evento musical na Cidade que me preencheu, incrivelmente. Trouxe-me realização, autonomia e um grande poder de responsabilidade. Continuei nas minhas traduções, a apoiar administrativamente algumas entidades, a acompanhar grupos em excursões, em explicações e fui-me sentindo realizada ao perceber o quão longe poderia chegar e o quão realizada me sentia por não ter rotinas, horários fixos.

 

Continuei a dar formação, já ao abrigo do IEFP e senti-me incrivelmente feliz na primeira experiência enquanto formadora "a sério". Outro ano passou e voltei ao mesmo evento, desta vez com outra maturidade e com o dobro da responsabilidade. Logo, logo, fui chamada para a produção de outro evento ao qual me dediquei completamente e que adorei organizar.

Agora estou aqui, num part-time temporário a fazer Auditorias e a gerir a equipa, num Centro Comercial, quase quase a inciar um part-time na recepção de um ginásio, com um projecto pendente com uma escola de formação e uma proposta de emprego para uma Escola Profissional aqui perto

 

E, assim, fui encontrando o meu caminho. Os meus dias foram passando no meio de mudanças, abdicando de algumas pequenas coisas como sentar-me a escrever, ou a ler um livro.

 

Muitas entrevistas se passaram, muitas lágirmas caíram e muitos "nãos" disse, também. Foi a intuição que me trouxe até aqui. Foi a vontade de chegar mais longe, a minha ingenuidade na busca dos sonhos. Foi a persistência que me trouxe. O desapego.

 

As pessoas perguntam-me sempre: então e o que é que tu fazes? E eu penso sempre antes de responder: essa pergunta é muito difícil, porque eu faço um pouco de tudo, mas faço apenas tudo o que gosto e isso reflecte o meu estilo de vida: experimentar tantas coisas! As pessoas só querem rótulos, uma profissão, uma ocupação. E eu, tenho tanto por explicar! :)

 

(Este Texto está em Desacordo Ortográfico) 

16
Set17

Confissões #1

Mi

Houve uma altura que só queria ir... Fugir com a minha mochila às costas. Ir, aventurar-me, fugir... Sentir-me a correr, o vento da liberdade... Mas sem dar conta a minha mochila pesava demais, não me deixaria correr, esvoaçar, dançar no meio do mundo. A minha mochila levaria tantas coisas por resolver, incertezas, dúvidas e inseguranças, sede de refúgio, de descoberta. Era um peso demasiado grande.

Agora que a minha mochila se vai esvaziando, à medida que vai ficando, lentamente, mais leve, não quero mais fugir. Quero ficar, descobrir o que está por aqui, aconchegar-me no meu lugar preferido, no sítio que é a minha casa. Não tenho mais pressa de viver o que já passou. Tenho pressa de saborear o caminho de tranquilidade que vou trilhando.

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

28
Ago17

Desvairos #7

Mi

O motivo pelo qual nos dispersamos dos nossos próprios sonhos é o ruído. O ruído que habita à nossa volta. O ruído que vem de mansinho, no início, como se as palavras que nos dizem fossem o melhor conforto que poderíamos ter naquele momento. Depois torna-se ruído. E tudo o que vem de nós, silencia-se.

Quem nos conhece melhor? Nós próprios? Ou o ruído?

O ruído habitou em mim, qual nevoeiro. Tirou-me a sanidade, as emoções, a capacidade de ser eu, a paixão pela vida, pelas coisas, pelos pormenores. Levou-me dias maravilhosos aos quais assistia inerte. A minha voz silenciou-se no meio do ruído, pressionada pelas ideias, pelas ilusões, por tudo o que eu não era. A solidão é um preço demasiado caro a pagar por fantasias, por teimosias.

Com firmeza, recuperei a minha voz. Estou ansiosa para me sentir feliz. Estou consciente, finalmente, que uma nova etapa começou na minha vida há pelo menos 5 meses. Cinco meses é muito tempo para viver inerte, para julgar que as coisas não mudam, que não trazem consequências. Pois claro que sou uma nova pessoa! Os erros estão enterrados, "auto-perdoados", já não há espaço para vidas levianas e decisões inconsequentes. O que me trouxe à razão foi o amor. Há amor incondicional: daquele que nos abraça enquanto choramos compulsivamente, que aguarda, com paciência ver um sorriso no rosto ou um gesto de carinho. "O Amor tudo transforma". Fui resgatada pelo amor e só posso estar grata. Bati tão lá no fundo que só esse amor soube estar ao meu lado, incondicionalmente. 

 

Já tinha saudades de escrever, de ser eu, de acordar sem pesos emocionais.Já tinha saudades de sentir, de viver, de planear, de me sentir feliz, de ser feliz com os meus compromissos. Já chega de incertezas. Está na hora da minha vida! Está na hora de sentir, plenamente! Porque tenho tudo o que tantas vezes pedi, em oração. Do que é que eu preciso mais? Só que ele chegue e me abrace.

 

Estou de volta.

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

11
Jul17

Coisas fofas de ultimamente

Mi

Tenho andado a adiar este post pensando: na próxima segunda é que é. Entretanto, a minha capacidade de agendar coisas está-se a ficar só mesmo pelo papel, com grande frustração minha... A coisa mais engraçada que eu descobri desde que saí de casa é: não consigo seguir a rotina que sempre sonhei e lia nos blogs de organização. Isso é mesmo possível? É mesmo possível seguir um sistema de Fly Lady imaculado? A organização é simplificar e julgo que ainda estou nesse processo. O meu caderno de entrada está tão escrito que fico contente ao realizar uma dessas tarefas por dia (ou um quarto da tarefa, vá).

 

Coisas boas têm acontecido e preciso de documentar as férias no Algarve, com a minha D.: os dias de tranquilidade resgatados, o mar, os passeios na areia, a rotina do acordar e praia, a leveza que esta amizade me traz. Estas memórias tão boas têm uma doçura ainda maior agora que esta minha companhia se rendeu ao Algarve e por lá ficou (a comer bolas de berlim sem mim, que eu sei...). É só mais um pretexto para regressar lá e matar saudades das gargalhadas e da pessoa que me ouve sem, muitas vezes, eu precisar de falar.

Os dias têm passado repentinos, entre viagens às 04H00 para o Porto, dormir na praia às 07H00 e descobrir uma loja vintage maravilhosa. Têm passado entre abraços aconchegantes e serões no sofá.

O trabalho (em eventos, mais uma vez) tem-me dado grande satisfação, ainda que o futuro me deixe ansiosa.

Memórias incríveis têm sido criadas como o jantar no Restaurante 100 Maneiras, neste fim de semana, que me trouxe uma visão maravilhosa do que é a arte e inovação na cozinha (sim, é o restaurante do Ljubomir Stanisic). Foi um fim de semana de descoberta, de experiências (já alguém andou de charrete em Óbidos? :)), de cumplicidade.

Há coisas fofas na vida, tão perto de nós.

 

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Foto daqui

 

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

 

30
Jun17

Aconchegos #1

Mi

Cometi este pecado na Galeria de Paris, no Porto. Chama-se Bolo de Queijo e Goiaba.

É daqueles aconchegos que se pedem quando precisamos de fugir, quando precisamos de chorar a mudança de cidade da nossa melhor amiga, quando precisamos apenas de meter o garfo à boca e ser felizes.

 

Bolo porto_carimbo.jpg

 

(Este Texto está em Desacordo Ortográfico)

 

29
Jun17

Desvairos #6

Mi

No último dia antes de mudar de casa sentei-me na beira da cama e pensei: estou de partida. O meu cantinho que tanto demorou a construir ainda lá está, sempre acolhedor, à minha espera.

No primeiro dia quando cheguei à casa nova pensei: não acredito que estou aqui. Como é que volto a construir o meu lar?

 

Sou aberta às mudanças, mas tenho dificuldades em adaptar-me. Tem sido um desafio. Mais interior. Sou de rotinas, de teimosias. Sou de mim.

Ando espalhada por aí, ao vento, sem rotinas, sem cantinhos, completamente desconcertada e a pedir piedade a mim própria.

 

(Este texto está em Desacordo Ortográfico)

26
Mai17

Coisas fofas... dos últimos meses!?

Mi

Faz algum tempo que não me sento, descontraidamente, a registar as coisas mais fofas dos últimos dias (correcção, faz algum tempo que não me sento descontraidamente - ponto). Todos os dias, na minha agenda, continuo a rabiscar a lápis o momento mais fofo do meu dia, só tem faltado vir para aqui, refugiar-me. Desde Fevereiro, algumas coisas mudaram, e ainda estou numa roda viva de mudança que me tem tirado alguma sanidade, paciência e leveza. Mudei de casa e aquele cantinho da minha secretária que me servia de inspiração, na outra casa, quase que ainda não foi transposto para a minha casa nova. A vida é complicada, ou será que sou eu que complico, naturalmente?

Desde Fevereiro, tive um reencontro bonito, passada a fase do "medo", em que nos rimos e conversámos como se tivesse sido sempre assim, como se nunca nada tivesse sido complicado; tenho recebido tanto carinho dos meus pais, aproximei-me ainda mais do meu Pai e almoçamos juntos, tantas vezes, só eu e ele; tenho recebido abraços apertados de consolo e de compreensão, por entre chávenas de chá. Tenho tido tudo o que preciso, só me falta a leveza no coração. Tenho continuado a fazer essa busca, incessantemente, porque aprendi comigo que tenho sede desse equilíbrio, que não fui feita para estagnar, para me resignar. Experienciar tantos trabalhos, vivenciar tantas coisas novas faz-me perceber que não é por que querer ou por gostar de mudar, é porque ainda não encontrei o meu lugar, desde sempre. Isso é angustiante. Ou será mesmo que o  meu lugar é por aí, acompanhando este espírito tão livre e rebelde, mas tão adormecido?

É muito engraçado como nós temos sempre a consciência que estamos no caminho certo, até vir a Vida e voltar a dar-nos um abanão. Ela não perdoa. Não perdoa a vozinha do ego, não perdoa o silêncio que provocamos à nossa intuição. Levei um abanão e, ainda que saiba o que é necessário fazer, a inércia provocada pela voz do ego, não me deixa, por agora, avançar com a leveza que precisaria.

 

 

27
Abr17

Rabiscos - XXI

Mi

"Estava sentada na mesa grande a olhar para o vazio das janelas que deixam entrar tanta luz!

Fez um ano desde que se sentou, pela primeira vez, naquela cadeira estofada de azul. As paredes forradas de azulejos, o tecto imponente com o seu brasão de onde pende um candelabro pesado. Continava impressionada pelo aconchego e imponência desta sala, como da primeira vez. E, tal como da primeira vez, já todo o movimento atarefado do dia a dia lhe deixava saudades.

Um ano passou e muitas coisas mudaram. Especialmente a sua capacidade de viver. As recordações, de há um ano, pareciam agora mais vivas e deixavam um vazio que teimou em não se preencher, com o passar dos meses. Apercebeu-se que há coisas que demoram a ser ultrapassadas. Pensou porque se cruzavam os seus caminhos, tão subtilmente, num sussurro suave e esporádico que fazia esquecer a mágoa, a raiva, as lágrimas.

 

Fechou os livros, arrumou as suas coisas e despediu-se daquele lugar. Despediu-se de tudo o que aquele lugar já lhe trouxera.

Tornou a fechar a porta, a trancar os sentimentos, a esquecer. Despediu-se, novamente, de uma vida que já não lhe pertencia há muito."

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

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