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Livro de Reservas

Bem vindos ao Blog de uma Técnica Superior de Turismo. Dificuldades, Histórias, Curiosidades, Horas de Desespero e de Realização.

08
Fev18

Coisas Fofas de 2018 #2 e #3

Mi

Incrivelmente, tenho sentido muita dificuldade em fazer este exercício de coisas fofas. Há alturas em que a Vida passa igual, demasiado rotineira, cheia de pressa. E eu, lá ando envolta em introspeções, arurmação da casa ou resoluções rabiscadas em listas que adormecem em cima da minha secretária. Entretanto, tenho 4 semanas que passaram com a certeza de trazerem coisas simples e bonitas que fui deixando passar ao lado, inadvertidamente...

 

Tenho chorado mais do que seria expectável. Começo a suspeitar que "ser grande" é isto: é o "vai-se" andando, é tentar fazer com que os dias valham a pena, mesmo que só nos apeteça ficar no sofá, refugiados numa manta, longe de pessoas, de confrontos ou de memórias. Dá muito trabalho ser grande. Dá vontade, tantas vezes, de fechar as portas e de voar, sem pensar demasiado. E depois, há coisas que mudam e quando nos apercebemos há pessoas para as quais já não temos a mesma importância ou para as quais já não somos uma prioridade. Nunca fui de ter muitos amigos, pois sempre tive problemas em confiar: as pessoas acabam sempre por deixar a minha vida; sorrateiramente, vão-se, especialmente quando já não tenho mais força para segurar a corda.

 

 

Quando temos tudo o que precisamos, todo o conforto, amor e aconchego do mundo e continuamos com um vazio, apenas a culpa se abate sobre nós. Porque não descobrimos o que efetivamente falta para estarmos plenamente felizes e despreocupados. Ser grande é isto, realmente? Ou será que estou a fazer alguma coisa mal?

 

Deixo duas semanas atrasadas de coisas fofas... O resto, há-de vir...!

1 - Sentir produtividades e mudanças em alguns dos meus alunos.

2 - Comer pão com queijo e beber Cappuccino sentada no sofá, a ver televisão.

3 - Jantar entrecosto feito pela minha mãe.

4 - Poder estar em casa a tratar da rotina doméstica.

5 - Adormecer no colo dele, no sofá.

6 - Ter o aconhcego da minha irmã, mesmo à distância.

7 - Passar um Domingo em modo pausa.

8 - Chegar a casa e estar incrivelmente quentinha e aconcehgante.

9 - Jantar de mão dada, na mesa da sala.

10 - Passar uma tarde feliz na companhia da minha J.

11 - Frequentar uma formação com o meu Pai e divertirmo-nos durante as sessões.

12 - Sentir-me serena, com vontade de ser cada vez melhor.

13 - Chegar a casa e ser recebida com muitos mimos.

14 - Ter um dia de trabalho produtivo no Ginásio.

 

 

 

26
Jan18

Oh Stora! #2

Mi

Hoje esta rubrica traz-me uma tristeza... Talvez mais uma sensação de impotência perante a vida ou a natureza humana. "Oh stora" pode ser hoje, muito bem, um pedido de ajuda.

Numa segunda-feira tenho uma aluna que não apareceu. Já conhecia algum do histórico dela, das conversas ignóbeis entre os meus colegas professores que acham mais fácil julgar e não compreender; um histórico pautado pela rebeldia adolescente que esconde uma personalidade frágil, um medo de rejeição. Nessa segunda-feira a minha aluna não apareceu porque se tentou suicidar. E na sala dos professores só posso perceber comentários de superioridade.

Alguém se apercebeu que aquela miúda de 17 anos podia ter morrido, realmente?

Porque me toca tanto? Porque apesar de ter alunos insolentes, pouco cooperantes, rebeldes e sem postura, é preciso perceber que são pessoas que tenho ali à minha frente, todas as vezes que entro na sala de aula. Mesmo que a sua atenção esteja virada para os telemóveis e para as redes sociais, tenho sempre a ingénua ideia que hei-de chegar a alguém. Como cheguei àquela aluna, no último dia de aulas do 1º período: quando fui capaz de a fazer perceber os seus pontos fortes e lhe mostrei que acredito que ela pode ter sucesso. Posso dizer que a minha aluna olhou para mim e sorriu, envergonhada. Sorriu como se não ouvisse um elogio desde sempre.

Ao voltar, no 2º período, mudou de mesa, começou a participar ainda mais nas minhas aulas e estava motivada. E como eu me sentia feliz! Poder chegar a alguém desta forma é uma realização pessoal.

Então naquela segunda-feira, enquanto observava, demoradamente, a mesa dela vazia, senti uma tristeza imensa. Pensei como nunca mais a poderia ver ali. E isso é triste, porque estamos a falar de um ser humano. Ninguém deveria sentir-se tão sozinho no mundo ao ponto de se querer suicidar. Mas senti também, tanta impotência...

Talvez possa ser considerada ingénua ao pensar que posso mudar a vida destes miúdos, por absorver estas situações. É uma utopia querer transformá-los em pessoas melhores, em querer fazer a diferença na vida deles. Contudo, acredito que talvez consiga, nem que seja por algum momento, dar-lhes alguma inspiração. Tenho a certeza que possuo uma missão em mãos: espalhar luz. Luz e Amor. Porque a rebeldia, para eles, é apenas uma armadura. É a sua frágil arma de defesa.

 

Quando a minha aluna voltará, não sei. Mas o lugar dela está lá. E a minha vontade de a acolher, também. Sem comentários negativos, sem discriminação.

 

 

 

 

 

18
Jan18

Coisas Fofas de 2018 #1

Mi

Como em tudo, nos meus dias, este Post vem atrasado... Duas semanas, sensivelmente... Uma das minhas resoluções de Ano Novo continua a ser melhorar o meu timing... Recebi de presente no Natal, inclusivamente, este relógio, de uma Amiga próxima que vem confirmar as minhas suspeitas...

 

Está a começar um Novo Ano, com algumas melhorias ponderadas. Conversava, com a minha Irmã, que na realidade as mudanças, são um processo. Nada acontece, magicamente, de um dia para o outro. E é verdade... São pequenos passos que nos levam a uma decisão maior, que nos levam ao dia em que não queremos fazer mais de trouxas, não queremos chegar mais atrasados, não queremos deixar portas abertas, queremos encerrar capítulos.

A primeira semana do Ano trouxe-me coisas fofas, apesar de algumas lágrimas:

 

1 - Passar o Novo Ano na companhia de pessoas importantes.

2 - Dispensar um dia inteiro à preguiça no sofá, com ele.

3 - Passar tempo com a minha Mãe, vendo as montras.

4 - Ir ao cinema e comer pipocas desalmadamente.

5 - Regressar à Meditação.

6 - Estar no sofá de minha casa a apreciar a Árvore de Natal e sentir-me grata pela alegria da época festiva.

7 - Apreciar o meu dia de trabalho no Ginásio, após a pausa de Natal.

 

 

 

06
Jan18

Desvairos #9

Mi

Ontem foi a vez de chorar, desalmadamente, por uma sopa que encontrou o seu jazigo no meu imaculado chão da cozinha. Isto em psicologia chama-se deslocamento. Não estou triste pela sopa. Estou triste por tudo menos pela sopa.

Dizem os entendidos da organização que se nos quisermos sentir em equilíbrio devemos arrumar gavetas, pois uma gaveta desarrumada é o espelho dos nossos dias. Hoje abri uma das gavetas da minha secretária e descobri porque me sinto tão frágil e tão desarrumada da vida...

Mas hoje também foi o dia que regressei à meditação. Terminar a meditação com uma imagem maravilhosa que me surgiu, em que estava envolvida e embalada, qual bebé num colo, em asas gigantes de um Anjo, tão brilhantes, tão confortantes, alimentou a minha serenidade. O Ano Novo iniciou há quase 1 semana. Quase me esqueço. 2017 trouxe mudanças: de casa, de atitude, de pensamento, de perspectivas.

Revivem-se os sonhos em mais um Ano vindouro: desejo e projecto realizações que almejo cumprir. Por mim. Para manter a minha paz interior, o meu equilíbrio e a minha sanidade. Coisas tão simples como organizar-me mais, deixar de procrastinar, desligar-me mais das redes sociais, ler mais, trabalhar mais, atrasar-me menos, dizer mais "não", dizer alguns "adeus" importantes e ser fiel a todas as coisas que surgirem para serem encerradas. Tão simples assim.

Chega a hora que precisamos apenas de nos desligar,  aconchegarmo-nos no colo de quem não nos pede explicações, apenas nos abraça e nos faz sentir que toda a nossa Vida continua a fazer sentido e que não somos pessoas tão más ou tão culpadas como imaginamos na nossa cabeça. Então o choro desaparece: o choro pela sopa, pelo computador... Dá lugar a sorrisos trocados entre goladas de chá e garfadas de bolo, no lugar do costume, com quem sempre quis estar do nosso lado.

(Este Texto está em desacordo ortográfico)

 

 

04
Jan18

Desvairos #8

Mi

O meu querido computador revoltou-se desde que mudei de casa, então a minha motivação para estar sentada na minha secretária a trabalhar ou a escrever tem sido diminuida ao longo destes meses... É um ingrato, o meu computador, ofereci-lhe um cabo de rede e tudo e mesmo assim deixa-me na mão.

Ontem dei por mim a chorar, desalmadamente, pela ingratidão do meu computador. Enervou-me de tal maneira que me fez chorar. No meio dos soluços e do choro compulsivo, no meio do abraço dele tão protector e reconfortante, percebi que a culpa de tanto choro não é do computador.

É do inesperado, da mágoa, da surpresa negativa, das expectativas, da sensação de "pequenez" que me incapacita. É de tudo que tem estado enrolado e escondido nas gavetas do pensamento.

Não que os meus dias andem assim tão cinzentos que acabem em lágrimas gordas a escorrer pela cara. Só o coração anda apertadinho... porque a vida é feita de transições, de novas etapas e de escolhas... porque não adiantam as expectativas, pois a vida sempre dá um jeito de nos surpreender, para o bem e para o mal.

 

 (Este texto está em Desacordo Ortográfico)

 

 

14
Dez17

Oh Stora! #1

Mi

Esta rubrica anda para sair desde Setembro, desde o dia que entrei numa sala de aula, naquela Escola Profissional, onde lecciono ao Curso Profissional de Turismo. É um projecto profissional tornado real que me brinda com pérolas como esta:

"Pergunta do Teste: Indica que equipamentos ou materias de apoio são utilizados na Recepção de um Hotel.

Aluno: Cartão de Cidadão e Blocos de Vacinas dos hóspedes"

Blocos de vacinas... Blocos de Vacinas? É... há hóspedes muito agressivos, podem morder e pegar raiva aos recepcionistas... É melhor estar prevenido.

 

Estes testes....Pérolas! Arquivei algumas respostas para me animarem em dias que me possa sentir mais triste.

 

(Este Texto está em desacordo ortográfico)

 

 

12
Dez17

Simplificando #1

Mi

Depois de ter trabalhado, temporariamente, como Auditora de Qualidade num centro comercial compreendi, efectivamente, o que é o consumismo desenfreado (é chegar a uma loja, uma semana depois, e trocar o artigo que comprou só porque afinal não o quer) e a loucura que é andar nas compras.

Agora que tenho uma casa é mais fácil seguir uma filosofia mais clean. É mais fácil ter apenas objectos que tenham significado e que preencham o lar.

Se eu já tinha uma visão menos consumista, especialmente em relação à roupa, esta experiência de trabalho fez-me repensar em tudo o que tenho no meu armário (outra vez!) - em relação aos sapatos ainda é um processo lento... xD

Destralhar é das melhores sensações de "missão cumprida" e sinto que é só isso que neste momento está a faltar nos meus dias assoberbados!

A organização acalma-me e estou a precisar de uns dias de terapia desse género :)

(Este Texto está em desacordo ortográfico)

 

 

 

25
Nov17

Confissões #4

Mi

Nos últimos dias tenho relido os posts da rubrica Coisas Fofas que assinala 2 anos neste dia. Tem estado desactualizado, pois a dinâmica dos meus dias só aos poucos me vai permitindo sentar e apreciar, escrever, pensar... Lamento a mim própria ter dado uma pausa a esses posts, pois relê-los traz-me um conforto inexplicável. Nos últimos tempos a minha vida foi uma montanha russa de experiências e emoções e - não querendo fazer deste post (já) um balanço de ano - muitas coisas aconteceram nos meus dias que se foram transformando em semanas e em meses... tão velozes que quase sinto que os deixei escapar no meio das minhas inseguranças, das horas de apatia... Sinto saudades deste ano que passa, cheio de mudanças e coisas novas.

Mudei de casa e, secretamente, tenho alturas em que sinto falta da minha Mãe, das torradas que ela me deixava ao pequeno almoço. Sinto saudades de fazer bolos para o meu Pai, de almoçar com ele. Sinto que tenho sido tão distante, fisicamente, deles por causa do trabalho e isso deixa-me triste. Agora que o trabalho de Auditoria vai terminar vou começar a remediar o que ainda é possível.

É incrível como a vida nos absorve e continua a empurrar-nos no seu ritmo frenético sem deixar que tenhamos o nosso tempo de adaptação, sem permitir que tudo fique no seu lugar para que à noite pudesse deitar a cabeça na almofada e sentir que não tenho nada por fazer, que nada está em atraso.

O blog voltará, também, aos poucos. Tenho saudades de me sentar e escrever todos os pensamentos que têm passado pela minha cabeça, intrepidamente, durante as horas em que estou de tablet na mão a auditar lojas, a contar pessoas e a registar vendas.

Quero voltar às listas, às tarefas concluídas... Quero voltar a sentir que sou capaz de continuar a colocar rumo e organização na minha vida. Tenho tudo para ser feliz! Tenho tantas coisas fofas nos meus dias!

E só tenho receio que não tenha tempo para viver tudo o que ainda quero viver. De melhorar o que sinto necessário.

Porque o tempo passa, sem piedade.

 

 

(Este Texto está em Desacordo Ortográfico.)

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